Terça , 22 de Julho de 2014
 
 
Entrevista
Publicada em 03 de Junho de 2012 ás 10:32:52

Jorge Amado Neto: “Os problemas de Salvador, da Bahia, e do Brasil, estão ligados à educação”.

O ano de 2012 tem sido um dos mais agitados na vida do advogado e professor Jorge Amado Neto. Entre entrevistas e palestras, muitas para falar sobre o centenário de seu avô, o escritor Jorge Amado, o jovem educador vê seu nome colocado como uma das grandes promessas da nova geração da política brasileira. Já foi noticiado um possível pleito ao cargo de vereador, e mais recentemente, seu nome circula como uma real possibilidade para candidatura à vice-prefeitura de Salvador.

 

 “Não gosto muito de especular, mas fico feliz de estar sendo lembrado, independente de qualquer cargo político”.

 

“O direito de reclamar assiste a todos, mas somente reclamar, não costuma dar resultados”.

 

“Não existe o bom e o mau caráter, não se muda isso em ninguém. Ou você tem caráter ou não tem”.

 

“Não estou preocupado com o nível de poder, estou preocupado em não violar nenhum dos meus princípios básicos”.

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Seu nome começou a circular muito na mídia. Se fala em candidatura a vereador, e a nova notícia é de que você sair como candidato a vice-prefeito na chapa de João Leão. Afinal, você será candidato a algum cargo?

Jorge Amado Neto – Realmente houve algumas propostas desde que eu me filiei ao Partido Progressista, mas estou estudando as possibilidades, tem novidades que surgem, algumas coisas são concretas outras nem tanto. Não gosto muito de especular, mas fico feliz de estar sendo lembrado, independente de qualquer cargo político.

Mas você tem vontade de seguir carreira política?

J.AN – Depende. Tenho projetos que gostaria muito de realizar, alguns deles dependeria de eu ter alguma influência no poder público. Como advogado e professor, sinto que praticamente todos os problemas de Salvador, da Bahia, e do Brasil, estão ligados a educação. Sinto que posso contribuir principalmente nessa área, mas em política, as coisas dependem de muita negociação. Estou aprendendo sobre política, mas procuro fazer o meu filtro particular, não pretendo ganhar possíveis vícios ruins que estão dentro do sistema político. E isso independe de eu pleitear algum cargo público ou não, eu sempre me interessei pelo assunto, o que está ocorrendo de diferente é que, de 2 anos para cá, me aproximei de maneira mais prática.

Como é a sua relação com o João Leão?

J.A.N – Leão é meu amigo. Ele foi uma pessoa que fez questão de me inserir no meio político. Eu já transitava por algumas esferas políticas, mas foi Leão que me deu o suporte necessário para algumas decisões que eu precisava tomar. É um grande empreendedor e um político muito respeitado.

Sendo neto de Jorge Amado, inclusive tendo o nome dele, você se sente em vantagem, caso concorra a um cargo público?

J.A.N – Sim e não. Sim porque meu avô não era somente um romancista admirável, ele era um ser humano incrível, bom caráter e com um senso de humor ímpar. Isso de certa forma pode influenciar em parte da opinião pública, não vou ser hipócrita de fingir que não existe essa possibilidade. Agora, a desvantagem é que a responsabilidade é dobrada, a expectativa em cima de mim se agiganta. Felizmente eu tenho plena consciência quanto ao peso do nome que carrego, embora seja necessário deixar bem claro: eu sou Jorge Amado Neto, advogado e educador.  Jorge Amado foi um grande escritor brasileiro. Ele era meu avô e influenciou muito na minha educação, mas eu tenho minha personalidade.

Com a possível candidatura de João Leão para a prefeitura de Salvador, e com a polêmica gestão do atual prefeito, João Henrique, que por sinal, se filiou ao partido a que você pertence, tem gente questionando por que a capital baiana deveria trocar um João pelo outro...

J.A.N – Quanto a gestão do prefeito João Henrique, eu não participei dela, não costumo julgar situações que desconheço os contextos. É um princípio do direito; preciso, no mínimo, conhecer os fatos, ouvir os dois lados, e começo a juntar as peças. Em relação aos nomes, o  ex-Beatle George Harrison tem o mesmo nome que o ex-presidente americano George W Bush, e são pessoas bem diferentes, concorda? É claro que Salvador passa por problemas complicados, mas apontar uma pessoa como a culpada por tudo é, no mínimo, preguiça e inconsequência, duas características que, definitivamente, eu não possuo.

Mas você admite que o fato do prefeito estar com índice de rejeição alto, e ser filiado ao seu partido, pode vir a te atrapalhar politicamente?

 

J.A.N – Se eu acreditasse nisso, poderia me candidatar a qualquer coisa e achar que eu seria eleito só por ser neto de Jorge Amado, que tal fato me garantiria a vitória. Meu avô era uma pessoa, eu sou outra. João Henrique é uma pessoa, eu sou outra. Companheiros partidários buscam chegar a um consenso, mas através de discussões, discordâncias, e argumentações. Cada um defende suas ideias, mas a sigla define os caminhos a seguir através de uma concordância. João Henrique é um cavalheiro; se porventura cometeu erros, cabe à população analisá-los, e dizer o que pensa disso nas urnas. O direito de reclamar assiste a todos, mas somente reclamar, não costuma dar resultados. O voto é a arma que as pessoas têm para tomar uma atitude.

Voltando a sua possível carreira política, quais são seus principais focos? Sabemos que você é notoriamente um profissional preparado, é advogado, educador... O que você poderia oferecer para a população?

J.A.N – Oficialmente eu não sou candidato a nada, por isso, acho inadequado falar sobre isso. Se eu pretendo pleitear um cargo público? Sim, pretendo. Esse é um desejo real. Como isso vai se desenhar? Por não ter certeza dos fatos, ainda prefiro não falar sobre isso. Estou negociando as possibilidades com muito cuidado porque, se for para eu me mover para o lado prático da política, tenho que fazer isso direito, tenho que estar confortável com isso, e principalmente, tenho que estar em paz com os meus princípios, sabendo que poderei cumprir os compromissos que virei a assumir.

Sua família te apoia sobre essa aproximação com a política?

J.A.N – Teve gente que ficou com receio, mas me reuni com todos e expliquei minhas intenções e estratégias. É engraçado porque muita gente acha que eu me beneficio com o meu nome, sem imaginar o tamanho da responsabilidade que ter o mesmo nome do meu avô implica. Mas já passou da hora de eu tomar uma decisão, a política se tornou uma necessidade pra mim; cansei de reclamar, reclamar... Se tenho consciência que posso ajudar a melhorar ou, quem sabe, a mudar muita coisa, preciso entrar na batalha. Quem me conhece sabe que tenho uma vida estabilizada, estou bem com minha profissão. O mais fácil seria me manter na minha zona de conforto, tocando meus negócios, continuar dando aulas em faculdade, exercendo a advocacia. Meus amigos mais próximos me perguntaram se eu estava entediado (risos). 

Você acha que a política muda o caráter das pessoas? Muita gente pensa assim...

J.A.N – Não existe o bom e o mau caráter, não se muda isso em ninguém. Ou você tem caráter ou não tem.

Mas você concorda que o jogo político é bem complicado...

J.A.N – Chegar até aqui para te conceder essa entrevista foi complicado, o trânsito estava uma loucura. Só que não é por causa dos engarrafamentos que eu vou deixar de dirigir...

Se você pudesse escolher entre se candidatar a vereador ou sair como vice-prefeito em sua chapa, o que você escolheria?

J.A.N – Depende das alianças que o meu partido precisaria fazer. Não estou preocupado com o nível de poder, estou preocupado em não violar nenhum dos meus princípios básicos. Eu sou aquele tipo que realmente acredita que dá sim pra fazer política limpa, transparente, com a participação ativa da sociedade na gestão. O político é um instrumento, as mãos que guiam são as pessoas, a sociedade. O problema é que, quanto mais ignorante é uma sociedade, mais frágeis são suas mãos. A ignorância gera preguiça e acomoda. É por isso que manter uma nação ignorante pode ser inclusive, uma estratégia política para manter-se no poder.

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