PAUSA PARA MEDITAÇÃO 3
Por Mário Matos
BEM VINDOS A BURACOLÂNDIA
Confesso que demorei de escrever o presente texto, esperando acontecer alguma coisa de novo. Pensei em falar sobre o momento político, sobre as eleições que se aproximam, sobre a campanha, enfim..., mas a situação da minha cidade obriga-me a mais uma vez, parar para meditar a sua realidade.
Estava na Praça Dr. Gualberto Fontes no começo do mês (dia 03 de agosto), quando chegava um caminhão cheio de peças para a montagem do palanque. Indaguei aos presentes com ar de surpresa: “já? 14 de agosto é na próxima semana e já estão pensando em palanque”? Recebi como resposta que “se a cidade está cheia de buracos, o trânsito que é ruim vai ficar pior, mas o meio-fio está pintado. “Bem vindo a Buracolândia”.
A cidade como um todo, centro e periferia, só tem buracos. J. Brito da “Baiana FM” chegou a contar mais de 30 só na Rua 02 de fevereiro, portal de entrada da cidade. A Rua José Xavier no bairro do Malembá, nas proximidades do “Colégio Polivalente”, está praticamente intransitável. E o que dizer da Avenida Antonio Patterson? Estou falando de algumas vias que ligam o centro da cidade aos bairros da cidade.
Isso significa dizer que nos horários normais, o trânsito de veículos flui com lentidão, em meio a buracos, motocicletas, kombis que param onde querem, motoristas mal-educados, enfim, uma zorra incomensurável. No final da tarde, quando a BA-522 recebe o pesado tráfego de volta dos veículos que vêm da refinaria, de Madre de Deus e de São Francisco do Conde, muitos motoristas para fugir da lentidão, resolver vir por dentro de Candeias, pelo Bairro da Santa Clara, que acabam por encontrar a longa fila que se estende da Rua da Pitanga, 02 de fevereiro, Praça Dr. Gualberto, Rua do Passé, Rua 21 de abril e Avenida Antonio Patterson. A cidade para e para cuidar desse caótico tráfego 3 ou 4 agentes de trânsito. É o buraco no trânsito.
Na educação, continuam os reclames de professores que não recebem os salários em dia, escolas cujos telhados caíram, isto porque, as escolas não foram reformadas neste ano; reclames do tratamento dispensado pela secretária da educação e sua equipe, falta de professor nessa e naquela escola. Os buracos na educação.
Precisar de um atendimento de emergência no hospital é certeza de que vai ser transportado de ambulância para o HGE; o posto médico sempre lotado e os médicos reclamando de salários atrasados, alguns de até 4 meses, sem contar aqueles que largaram tudo e foram embora por não aguentar ficar sem receber seus pagamentos devidos. Para solucionar o problema a alcaidessa começa a construir o prédio da UPA no bairro do Ouro Negro, ou seja, quando a população precisar de atendimento à noite, vai se deslocar para o lado da Prefeitura. Não venham me dizer que o Posto Médico Luis Viana não vai ser desativado, tornando-se Posto de PSF, pois para os menos avisados, estes só funcionam até o final da tarde e mesmo que fique um plantonista à noite, este novo formato de posto não terá condição de atender casos de emergência. Buraco na saúde.
A Secretaria de obras é só um nome, como a linha do equador, sabe-se que existe, mas ninguém vê. Existem na estrutura da Prefeitura (Plano de Cargos e Salários) as funções de pedreiro, mestre de obra, calceteiro entre outros, que por dedução, seriam funcionários pra cuidar da manutenção de ruas, escolas, etc. Mas isso já não existe, pois a moda é contratar empresaS por licitação para realizar as obras e manutenção.
Claro que isso é legal, dentro dos parâmetros da constitucionalidade. O que perguntamos é se isso é moral. Para citar um exemplo, existe uma empresa que VENCEU a licitação, em valores próximos de quinhentos mil reais para manter o meio-fio limpo e pintado (sic). E os buracos das ruas? As reformas e pinturas de escolas e prédios públicos? Dependem de novas licitações, novos empreiteiros contratados e fica tudo como vemos.
Já se tornou enfadonho falar da mesmice, quase sempre e em todas às vezes de atrasos de salários, do descaso da atual administração pública para com as coisas do Município. E para ser correto na análise que faço, é bom lembrar que a atual prefeita é servidora de carreira da prefeitura, tendo passado pelas principais secretarias, inclusive a de finanças, onde por muito tempo foi a titular, conhecendo, por isso, todos os meandros das finanças públicas.
Em sua primeira gestão (1983-1986), registraram-se atrasos de salários, mas algumas obras foram feitas. Por conta das coisas da política, Maria Maia sempre procurou se colocar como a prefeita que mais obras realizou em Candeias.
Na sua empreitada de derrubar o grupo de Tonha Magalhães, numa perseguição que dura até hoje, o grupo de Maria Maia voltou ao poder em 2008, por conta de uma decisão da Justiça Eleitoral, e o que se esperava era a mudança daquilo que eles chamavam de perseguição, desmandos e por aí vai.
Mas o que vimos de lá para cá na era da CANDEIAS LIVRE? O desmonte total dos serviços públicos. A saúde chegou a ter o hospital fechado, o trânsito caótico, telhados de escolas caindo, buracos e mais buracos nas ruas, nenhuma indústria instalada, empregos diminuindo, principalmente no comércio local, que teve uma queda vertiginosa, por conta de falta de compradores, já que os funcionários da prefeitura não recebem seus salários em dia, etc., etc., etc.
Enfim, estamos próximos da data magna do Município, quando em 14 de agosto chegaremos aos 52 anos de emancipação. A pergunta mais uma vez é: COMEMORAR O QUÊ?
Até a imprensa local se calou, os jornais nada falam e a única voz que ainda oportunizava sabermos do que acontecia na prefeitura, através dos ouvintes, a “Rádio Baiana FM” calou-se e tirou os ouvintes do ar, dizendo ser uma medida preventiva, em função da legislação eleitoral.
Por tudo isso sou obrigado a concordar com o que dizem e termino dizendo: BEM VINDOS A BUROCOLÂNDIA.
EM TEMPO: havia dado por concluída essa coluna, quando foi surpreendido por duas coisas fantásticas: A “Rádio Baiana FM” voltou a liberar os telefones para os ouvintes. Outra coisa foi descobrir que a prefeitura tem assessoria de imprensa (sic), haja vista, material publicitário de meia página no Jornal “A Tarde” de domingo, edição de 08 de agosto, onde é apresentada a grade de programação da GRANDE FESTA DE 14 DE AGOSTO e uma lista interminável de obras (?) realizadas pela atual administração, a começar pela operação TAPA-BURACOS. E em plena praça, um monumental palanque e uma área erguida para camarote dos convidados da prefeita, para grandes shows que ali acontecerão, embora tenha engarrafado mais ainda o nosso tráfego. Não é fantástico?
Não havia o que mudar no texto já escrito. Aí me lembrei de uma máxima do Império Romano: Pão e circo para o povo, embora em nosso caso, não necessariamente nesta ordem.
Deixo com vocês uma pergunta: ESTAMOS OU NÃO VIVENDO NA BUROCOLÂNDIA?
Estaremos de olhos sempre aberto, exceto se nos vendarem. Na próxima, eu volto.
Mário Matos é professor e assessor legislativo.
Publicado em 12/08/2010 ás 10:28 |