Coluna de Chico Bruno
 

Para votar só com foto

Para votar só com foto

Os dirigentes do Datafolha asseguram que há “estabilidade do cenário eleitoral na disputa pela Presidência da República”.

Para eles, Dilma se beneficiou da entrevista no Jornal Nacional e da propaganda eleitoral.

Pela diferença pró-Dilma eles dizem que “o quadro pode refletir a cristalização da preferência dos eleitores.

Pelos resultados das pesquisas do momento eles dizem o óbvio ululante.

Outra constatação dos dirigentes do Datafolha é que “a maioria do eleitorado sabe que Dilma é candidata de Lula e sobre ela deposita a expectativa de continuidade aliada à capacidade técnica para exercer o cargo”.

Ora bolas, depois do massacre midiático de mais de dois anos eles queriam que nessa altura do campeonato os eleitores não soubessem quem é a candidata do Lula?

Vamos e venhamos, eles falam mais uma vez o óbvio.

Mas, como seguro morreu de velho, os dirigentes do Datafolha usam sempre meias palavras.

“Prova dessa aparente cristalização do voto encontra-se na evolução do conjunto de eleitores que se dizem totalmente decididos sobre seu candidato”.

Sempre com reticências, eles dizem que “em condições normais, sem fatos que abalem a concentração do voto de um ou outro candidato, espera-se a manutenção da tendência”.

Nos finalmente, fazem a ressalva mais importante.

“Mas, vale a lembrança de que, em 2006, antes da denúncia dos "aloprados do PT", Lula tinha em 4 e 5 de setembro 51% das intenções de voto contra 27% de Geraldo Alckmin (PSDB). O presidente chegou às urnas com 45%, o tucano com 38% e houve segundo turno”.

Os diretores do Datafolha esqueceram dois aspectos fundamentais que podem ocorrer.

A velha conhecida abstenção que, por exemplo, ocorreu nas zonas eleitorais do Plano Piloto do Distrito Federal e derrotou Cristovam Buarque em 1998 e a grande novidade que vai acontecer no dia 3 de outubro, que é o exercício do voto com a apresentação do título eleitoral e um documento oficial com foto (carteira de identidade, carteira de motorista ou passaporte).

Essa novidade tem sido pouco difundida pela mídia e vem escapando das análises dos especialistas em eleições.

Alguns poucos candidatos tem tomado o cuidado de colocar em suas colas alertas para a novidade incluída na remendada lei eleitoral em sua última reforma.

Vale lembrar, que existe um costume enraizado no eleitorado brasileiro do voto sem título eleitoral, compensado pela apresentação da carteira de identidade.

Isso acabou. Agora só vota quem apresentar o título eleitoral e um documento oficial com voto.

Isso precisa ser levado em conta, pois é uma novidade e tanto, que pode trazer muitas surpresas. 

Publicado ou Escrito por Chico Bruno

Publicado em 04/09/2010 ás 13:14

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