Coluna de Leonardo Dias
 

Paulo Souto será vítima do efeito Imbassahy e o segundo turno será entre Geddel e Wagner

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Seg, 21 de Junho de 2010 00:00

Leonardo Dias
Estamos chegando ao final do mês de junho, há apenas três meses das eleições. A partir da análise do cenário político de todo Estado da Bahia, é consenso de que está consolidado um  ambiente político tripolar- três forças encabeçadas pelo PMDB, DEM e PT. Apesar disso, os principais intitutos de  pesquisas de intenção de votos  que colheram recentemente  amostras para a eleição de governador da Bahia, ainda apontam para um quadro bipolarizado entre as candidaturas de Jaques Wagner (PT) e Paulo Souto (DEM).

Dessa forma, as pesquisas ainda não refletem a constação que fazemos de que a candidatura do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), definitivamente, já ocupa um espaço extremamente expressivo na definição do processo eleitoral baiano.  O fato concreto é que a campanha oficial se iniciou e Geddel ainda continua “patinando” nas pesquisas. Consideranto isso, aqui faremos uma breve análise no sentido de interpretar e explicar os motivos que fazem com que a candidatura de Geddel ainda não desponte nas pesquisas de intenção de voto com possibilidades concretas de chegar ao segundo turno, defendo a perpesctiva de que, ao fim e ao cabo, Geddel chegará ao segundo turno e vencerá as eleições.

Para lastrear a nossa percepção, que contraria os índices divulgados nas pesquisas,  é importante ressaltar um breve hisórico que se soma ao atual contexto, detalhando a forma de como seu deu e se dá o crescimento do PMDB e, consequentemente, da candidatura de Geddel como alternativa real de poder e que vencerá a próxima eleição, ao passo em que se relacione isso à tendência declinante da candidatura do ex-governador Paulo Souto. Isso é importante porque, aqui, assumimos o pressuposto essencialmente lógico de que a candidatura de Geddel, além da natural musculatura que conseguiu acumular ao longo dos últimos, herdou e herdará todo o restante do espólio do finalizado “Carlismo”, sabendo-se que o que ainda sobrou está, no momento, sob a tutela do ex-governador Paulo Souto.

O PMDB, sob a liderança de Geddel,  se credenciou como alternativa de poder, de 2007 para cá. Com a ocupação de espaços estratégicos, o partido cresceu, com muitas adesões  e passou a se constituir no principal pólo de atração de dissidentes do carlismo, promovendo uma nova configuração que se traduziu no “desmonte” da estrutura carlista em proporção semelhante ao próprio crescimento do PMDB. Além disso, em 2008, O PMDB elegeu 115 prefeitos, incluindo a capital.

Naquele momento,  ainda havia uma incerteza com relação ao fortalecimento efetivo do PMDB, pois a considerava-se que a maioria absoluta das Prefeituras municipais conquistadas pelo PMDB, no interior baiano, por serem inexpresivas do ponto de vista da arrecadação, tendo como fontes exclusivas de receitas o Fundo de Participação dos Municípios, portanto, essencialmente dependentes dos repasses de recursos de outras esferas (estadual e federal), seria muito difícil Geddel conseguir  manter a unidade das adesões em torno de si, considerando a possibilidade de cooptação por parte do governo do estado, tendo a transferência de recursos como moeda de troca para o apoio à reeleição de Jaques Wagner.  Ocorre, todavia, que através do Ministério da Integração Nacional, o apoio administrativo federal às gestões municipais, não só do PMDB, mas de outros partidos, interior baiano à fora, contribuiu para consolidar e ampliar significadamente a unidade em torno da liderança de Geddel. Assim, Geddel usou com muita habilidade política o cargo de ministro. No seu exercício, conseguiu ampliar a sua influência junto às bases municipais, as bancada estadual e federal baianas do PMDB e avançando, também, sobre outros partidos. Geddel aproveitou ao máximo  a fase de acumulação eleitoral.

Em contra-partida, Paulo Souto ficou isolado, sem estrutura. Desde de 2006, quando foi derrotado, Cerca de 70% dos prefeitos do DEM e partidos satélites deixaram formalmente o campo carlista e se abrigaram em alguma legenda integrante ou aderente à nova situação estadual, na base do governo Wagner, mas, sobretudo no PMDB.

Dessa forma, a candidatura de Geddel tem a adesão consolidada das prefeituras do interior do estado, além de um verdadeiro exército de quase 500 candidatos a deputado. É vital para o apoio popular a uma candidatura a governador, fora da região metropolitana de Salvador,  nas campanhas eleitorais, a organização de reuniões e palanques locais.

Tais fatores se revestem de particular relevância, uma vez que o chamado “voto de opinião” corresponde apenas a uma pequena parcela do eleitorado e fora da região metropolitana de Salvador, no interiorzão, ele é quase inexistente. Ou seja, o apoio das lideranças locais- Prefeitos, vereadores, secretários municipais e instituições- passam a ser pré-requisito para o êxito eleitoral.

Nessa visão, não estamos tratando necessariamente do chamado “voto de cabresto”, mas das peculiaridades próprias da política interiorana, verticalizada, onde o voto do eleitor comum, para governador, é e será altamente dependente das condições locais, onde as lideranças influenciam a decisão de voto e, neste sentido, Geddel tem ampla vantagem sobre Paulo Souto.

Portanto, nas pesquisas de intenção de voto, o apoio dos prefeitos do interior ainda não está se refletindo nos resultados, mas, como o controle do poder local é um elemento importante na força organizacional da campanha para governador, no momento certo, ele fará a diferença.

Uma avaliação do impacto dos fatores de curto prazo, particularmente ao da estrutura de campanha, sobre as preferências eleitorais pode ser percebido mesmo fora de um contexto em que a identificação partidária não é tão reduzida como a do interior baiano. As eleições municipais de 2008, em Salvador, se constituem no ideal exemplo prático. 

Quem não se lembra que, em 2008, há cerca de três meses das eleições, no mês de Julho daquele ano, Antônio Imbassahy (PSDB) liderava, e com grande vantagem, todas as pesquisas de intenção de voto?  Apesar disso, Imbassahy viu a sua candidatura se definhar exatamente na mesma medida em que a campanha real se apresentava.  Terminou em quarto lugar , muito distante de ser considerado um candidato competitivo.  Ainda que não fosse surpresa para quem soube avaliar o quadro político daquele momento, após a divulgação do resultado oficial, as explicações para o “efeito Imbassahy” se mostram evidentes: o candidato do PSDB não conseguiu aglutinar em torno de sua candidatura grandes apoios. Imbassahy ficou isolado numa coligação com o PPS. A ausência de apoios de partidos com sólida densidade eleitoral, somada a fraca estrutura de apoios importantes, fez com que Imbassahy, apesar de liderar todas as pesquisas, começasse a campanha oficial com uma tendência ao declínio, ao contrário de seus demais concorrentes que apesar do índice de rejeição, conseguiram reunir apoios concretos.

 

Neste sentido, a nossa hipótese é a de que, durante a campanha, a política “real” se apresentará. O candidato Paulo Souto, hojé se vê em um contexto semelhante ao de Imbassahy, em 2008. A analogia é inevitável: O candidato do DEM ficou isolado, em uma coligação com o PSDB, que na Bahia se constitui apenas em uma legenda emergente, apenas com mediano volume eleitoral. Paulo Souto ficou reduzido ao apoio de bancadas ainda significativas, embora decrescentes, na Assembléia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Sem apoios de Prefeitos no interior do estado, afastado da possibilidade de usar a máquina pública, sem apoio de empresários e entidades influentes, com pouquíssimas adesões das atuais candidaturas a deputado federal e estadual, inevitavelmente, o candidato do DEM será vitíma do “efeito Imbassahy”

Portanto, é natural que Paulo Souto, que disputará a sua quarta eleição para o governo do estado, esteja pontuando razoavelmente bem nas pesquisas, mas ao consideramos o fato de que a candidatura dele já é uma opção conhecida do eleitor, juntamente com a ausência de estrutura de campanha, concluímos que está no limite do seu potencial de crescimento, ou ainda numa posição irreal do ponto de vista da verdadeira musculatura de sua candidatura. Assim, com a presença da tendência declinante, com o início do Horário Eleitoral Gratuito, a trajetória do “efeito Imbassahy” deverá efetivamente iniciada.

Na Bahia, os estudos do comportamento eleitoral e das atitudes políticas são relativamente escassas mas é razoável supor que seja quase que incontestável a conclusão de que, apesar de não ser determinante, o Horário Eleitoral Gratuito  pode influenciar no resultado, desde que a exposição na TV tenha o devido lastro de apoios reais que fizemos referência acima. A exposição, por si só, não garante ampliação do capital político mas associada aos apoios reais, podem fazer a diferença.

Neste sentido, Geddel costurou o apoio de uma grande coligação formada, além do PMDB, por  PR/PTB/PSC/PPS/PRP/PRTB/PSDC/PTC/PMN/PTdoB e PTN. Assim, se é mesmo verdadeira a assertiva de que a maioria desses partidos possuem baixa densidade eleitoral, é fato concreto que a composição renderá a candidatura de Geddel  um grande tempo de exposição no horário eleitoral gratuito.

O início do horário eleitoral será importante para colocar em evidência o diagnóstico de fracasso do atual governo petista nas aréas mais sensíveis às demandas do eleitorado: Educação, saúde e sobretudo a segurança pública, o calcanhar de aquiles do governo Wagner

O Horário eleitoral será importante porque ele atinge a faixa do eleitorado orientada pelo voto de opinião e servirá para difundir a imagem que o eleitor constrói do candidato a partir de informações disponíveis nas esferas públicas . O horário eleitoral servirá para consolidação da imagem do candidato Geddel. A estratégia discursiva, aliadas às crenças e valores eleitorais, passarão a compor o imaginário eleitoral que determinará  que Geddel ocupe o espaço que hoje está sendo de Paulo Souto, de maneira definitiva.

Esse imaginário eleitoral será composto por informações sociais mutáveis e, portanto, o voto perderá a característica de perenidade, gerando um comportamento eleitoral volátil que propiciará a migração das intenções de votos de Paulo Souto para Geddel.

 Com o início do programa televisivo, a formação da imagem pública em torno de Geddel terá como objetivo o atendimento às expectativas dos eleitores com um discurso ancorado na perspectiva do desenvolvimento sustentável, da qualidade de vida e a modernidade política

 Por outro lado, o eleitor que está sujeito a um grande volume de informações sobre os políticos e suas propostas durante as campanhas eleitorais tende a levar em consideração os efeitos de suas experiências passadas, aliadas a seus valores e crenças, que têm efeito de longo prazo, para definir em quem votar. È justamente também por isso que Geddel levará vantagem, por ser considerado um candidato “novo”.

No nível do estado da Bahia como um todo, a volatilidade eleitoral é bastante moderada. O realinhamento se dará gradualmente, sem mutações abruptas, mas calculamos que até o final de agosto as pesquisas já apontem Geddel em seguno lugar nas intenções de voto.

Além do já conquistado, Geddel ocupará grande parte do atual espaço de Paulo Souto, da faixa do eleitorado de rejeição ao PT e de uma parcela que busca uma terceira via ou um candidato com chances reais de por fim a disputa PT x DEM. Assim, será de esperar uma volatilidade de voto muito elevada.

Parcela relevante do eleitorado baiano usará um tipo de voto estratégico ou “voto útil”  diferenciado para a definição de suas escolhas eleitorais no próximo pleito.  É razoável tomar como pressuposto que mudar de voto de um candidato para outro não antecede ou explica visões sobre os problemas sociais enfrentados pela Bahia, mas é importante frisar que o acompanhamento atento da campanha, além de requisito para um voto estratégico, é também determinante quando há disparidades claras entre a condução das campanhas pelos distintos candidatos. Neste caso, Geddel vai crescer exponecialmente quando ficar evidente para todos que é  a opção mais forte e concreta para derrotar o PT.

E finalmente, no segundo turno se dará a ampliação do arco de alianças de Geddel em direção aos poucos setores resistentes do carlismo, ainda apoiando a candidatura de Paulo Souto e que, definitivamente, passarão a ser base de sustentação do projeto que emplacará Geddel Vieira Lima como novo governador da Bahia.

Esta aproximação já ocorreu durante as eleições municipais de 2008 e com bastate intensidade nas próprias articulações pré-eleitorais de 2010 e só não foi adiante, certamente, em função dos desdobramentos da política nacional.

A sucessão do presidente Lula, certamente, influenciará  também a definição final do segundo turno das eleições baianas, mas, em nenhuma hipótese, Geddel deixará de ter o apoio do candidato do DEM, na disputa contra o PT.
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Economista, Mestre em Ciência Política, membro da executiva do PPS e candidato a deputado federal

 

Publicado em 26/07/2010 ás 18:18

 
 
 
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